Onde palavras pensam que juntas, formam um texto...

terça-feira, setembro 19, 2006

Vai Pierrot...

Tarde da noite e lá ele está a escrever mais um conto lamentar, faz-se tempos que está preso em palavras e dentre das tantas canções a soar em seu quarto, refletem um tanto em suas deploráveis orações desferidas ao papel. Algumas falam do passado, refletem acima de tudo, no futuro, por proferir frases e idéias, as tais com uma inocência e sentimentalidade que o faz aos poucos sonhar novamente o impossível, o improvável, a Columbina. Sim, há a Columbina, sempre há, mesmo que ela nunca o note, ou o trate de maneira não desejável, ele sabe que apesar de suas fantasias e desejos nunca terá tal êxito.

Tarde da noite e lá ele está a escrever mais um conto lamentar, parafrasear é a sua tentativa. Explica e desenvolve idéias mirabolantes que nem ele mesmo às vezes aceita ou concorda, mas nele residem sem a intencionalidade de ter tantas particularidades pertencentes a ele por serem odiosas. Corroí-se em desejo, iguala-se em devaneios como o de seu imaginário, este se mostra por enquanto livre e contente, sem preocupações, mas logo se volta e vê que está ali, entrevado em meio suas obrigações.

Tarde da noite e lá ele está a escrever mais um conto lamentar, com certa raiva escreve com um forte teclar e assim faz o som da máquina de escrever predominar diante de tantos outros harmoniosos. Enquanto mais intenso o bater de teclas, mais o seu sonhar se torna repetitivo, não consegues tirar aquele ser tão diferente e divino de sua mente. Logo lhe vem alegria, sorrisos, festas, o que lhe atrapalham por demais em sua concentração ao seu sustento diário.

Tarde da noite e lá ele está a escrever mais um conto lamentar, por instantes pára com seus afazeres e reflete sobre sua origem. Ser fraco, não demora muito e, de acordo com o conto, ele se lembra no ponto, de que na sua vida já fora um Arlequim. Um dito cujo sem pressa, sem metas, incondicional por natureza, sem atitudes maiores, vagava em meio a luxuria e desejos ínfimos cobertos de irresponsabilidade. Pensa com boas lembranças daquele tempo vadio sem rumo, como se estes voltariam tão facilmente a tal pretérito banal, porém almejado.

Tarde da noite e lá ele está a escrever mais um conto lamentar, por seu entorno se mostra uma atmosfera pesada com um vento frio que soa junto às janelas, oriundo de uma pequena fresta que lhe mostra a noite iluminada. Ele olha para a passagem e vê na paisagem luzes de uma grande variedade de cores. Hesitante por sua tarefa e seu desejo, ele põe em duvida sua vocação e parte para a fresta com um olhar triste, tendencioso a tensão. Rapidamente olha para as luzes, vê um pouco mais de sua dimensão e no movimento repentino ele fecha as cortinas, tampando sua tentação paliativamente.

Tarde da noite e lá ele está a escrever mais um conto lamentar, a pensar no próximo dizer, no próximo esclarecer em vão que inutilizará um pedaço de papel. O qual cairá em contradição, em face de sua confusa e turva noção de regras e afins da escrita e também de sua própria incerteza de que sentes ou do modo vivenciado para demonstrar a fim de questionar o próximo.

Tarde da noite e lá está ele a escrever mais um conto lamentar, mas agora onde antes só havia luzes na paisagem, na mesma direção escuta sons, que antes eram meros murmurar de vozes de baixo tom e volume. Por tempos ele escrevera perante esta pertinente calmaria, certo de que conseguira resultados satisfatórios. O aumento de tons e oitavas, o faz irritar-se com tal feito, por não mais conseguir mostrar eficácia em seu afazer. Cada vez mais ele sente o dito barulho, aumentar dentre eles incluem musicas, vozes, risos, gritos. Não tão distantes, lhe parece familiar, logo descobre que toda corte estava a se distrair, a se divertir. Servos e senhores pareciam lhe eufóricos com algum acontecido, falha-te a memória por algo de sumo importância para tal evento.

Tarde da noite e lá está ele a escrever mais um conto lamentar, quando as suas mãos lhes trouxeram uma prazerosa fisgada de dor, estas já estão em exaustão, até elas sabem o limite de seu trabalho e de seu esforço para tal fim. Incessantemente elas acusam para ele do fim, o mesmo, teimoso, olha para ao seu redor, se vê em meio a livros, folhas, artigos, noticias. Sádico, por sua dor pensa no quão isso irá lhe ajudar. Quase por surtar ele volta a bater em vogais e consoantes repetitivamente, já que agora a dor lhe traz uma negra inspiração e bloqueia o exterior que é o prazer que lhe tenta.

Tarde da noite e lá está ele a escrever mais um conto lamentar. Tratante consigo mesmo tenta disfarçar seus desejos traçando árduas palavras em seu texto, a tentativa de obter um contrapeso o faz cair em perturbação. Já tenso o mesmo traça meios de destoar deste empecilho, mas o mesmo se faz forte, acua o outro lado que se vê pressionado pelas tentações dá época. Quer ser Arlequim, ou até mesmo um Bobo, talvez um Momo, ter a Columbina, pertencer a vida alheia. Volta a mesma janela fechada e a identifica em meio ao cortejo. Ele a admira por pular, saltar, dançar, rir. Durante alguns instantes ele o faz com descrição e apreço. Eis que dentre tanta agitação ele fora avistado pela ré. Há uma troca de olhares de tão curta fora quase não mencionada. Porém acompanhado desta rápida permuta, veio um sorriso um tanto diferente e surpreende para o nosso herói. Pela primeira vez no dia o mesmo se enche de esperança e alegria por meros gestos musculares faciais. Quando torna ao teu habitat, percebe enquanto gastara tudo no nada, enquanto fora não ele. Agora há de correr atrás de sua Columbina caro.

Tarde da noite e lá está ele a escrever mais um conto lamentar, agora com o simples ponto final. Enfim, é o fim.

“O jogo só acaba quando termina”
By Galvão Bueno

Guilherme “Mal, cada dia mais Mal” Rocha

5 comentários:

Giovanna Vilela disse...

Gostei!

Anônimo disse...

Quando surgirá um pouco de luz em meio a toda essa escuridão aí. não dá pra viver sempre na sombra, na penumbra. vamos deixar o Sol entrar nesse blog ae.
Um abração.

Anônimo disse...

Êta! Mais texto triste ... =/
Concordo com o outro comentário ...n dá p viver sempre na sombra! Quero q vc fique bem e escreva textos alegres! :)
Bjo

Anônimo disse...

Oláá,
Eu tb enxergo a sombra que todos falam, e gostaria também que vc deixasse a luz entrar de vez em quando, e depois, que entrasse de vez. mas, apesar de tudo, sinto suas palavras mais leves, seria uma tentativa? Talvez pela simpatia que eu tenho por colombinas e arlequins, e por vc tb! Heheheheheheh

=)

Posso sugerir algo?
Menos: "o mesmo","as tais", "o qual","este"
Mais: mais de você, linguagem mais clara (isso não significa mais pobre, mas mais direta), mais do quarto parágrafo, que eu achei FODA!

Adoro vc, indiozinho inspirado =)
E adoro esse layout! Eu quero uuuum! (quando eu tiver um pc só meu para ficar escrevendo... hehehe)

Beijinhos
Line

Anônimo disse...

Concordo com as observações de aline...
o texto eh bom... mto bom ...
mas precisa de uns ajustes tecnicos...
no mais, "o pierrot apaixonado chora pelo amor da colombina"
bju lindao